O recorde da cannabis na medicina

Cannabis medicinal: movimentação de R$ 853 milhões em onze meses de 2024 (Crédito: Andre Penner)
Por Antonio Carlos Prado
Foram divulgados dados sobre os brasileiros que tratam enfermidades com cannabis medicinal. Os números são do anuário produzido pela empresa Kaya Mind, uma das mais conceituadas em todo o mundo no estudo, pesquisa e análise do mercado canábico. Se cotejado este ano com 2023, houve um crescimento de 56% no número de usuários. Mais: somente em 2024 o setor movimentou R$ 853 milhões. O País possui seiscentos e setenta e dois pacientes que se valem de tratamentos à base de cannabis. “A expansão é visível no Brasil, não apenas em números, mas na forma como a medicina integra essas opções de tratamento ao dia a dia dos pacientes”, diz Maria Eugenia Riscala, CEO da Kaya. Com presença nas fórmulas de duas mil cento e oitenta medicações, no Brasil a cannabis medicinal chega ao recorde de pacientes. Auxiliou os enfermos que necessitam dessa substância a liberação do cultivo da planta em decisão do Supremo Tribunal Federal, que colocou o Brasil na contemporaneidade do mundo. 47% dos que precisam da cannabis medicinal a importam, 31% a compram em farmácias e 22% a conseguem em associações. São essas associações de vital relevância à população com menos recursos financeiros.
ALEMANHA
Pontos vitais do livro de Angela Merkel

Há um fenômeno ínsito na política alemã: premiê é quase sempre aplaudido quando está no cargo e criticado quando o deixa. Não tem sido diferente com Angela Merkel, e esse é um dos motivos (além da vaidade pessoal) que a convenceram a escrever e lançar o livro Liberdade: memórias 1954 – 2021 (lançamento no Brasil previsto para o ano que vem). Na obra, Merkel reafirma que agiu corretamente em 2015, quando abriu as fronteiras do país para imigrantes que estavam morrendo no mar diante da recusa da maioria das nações em aceitá-los. Já no campo econômico, Merkel, que era ferrenha defensora de “freio na dívida pública” (no Brasil chama teto de gastos), recua estrategicamente. Na obra recém-lançada, ela afirma que tal freio é inviável em uma economia estagnada, antiquada e, sobretudo, carente de investimentos. Na Alemanha, o livro mal chegou às livrarias e esgotou-se. Merkel, 70 anos de idade, voltou a ser notícia em todos os jornais, revistas, sites e televisão. Ela andava precisando disso para dissipar críticas e um começo de depressão.
ÉTICA
A leitora e o leitor decidem

O presidente dos EUA, Joe Biden, deixará em breve a Casa Branca. Encerra-se o seu mandato e assume o lugar de piloto do planeta o republicano e conservador Donald Trump — desejoso em fazer do país uma monocracia. O atual mandatário, dono de exemplar currículo no Partido Democrático, parte maculado ou inconsútil? Esse é o ponto central de reflexão — expomos a questão, a leitora e o leitor decidem. Biden merece tanta crítica como vem ocorrendo, ou dá para compreender que, além de ilibado homem público, ele é pai com sentimentos e emoções como o são a maioria dos que amam os filhos? Homens íntegros, porque o são, chegam a colocar em risco tal integridade em defesa de um filho transgressor das leis vigentes na nação. Biden concedeu o perdão presidencial (que é uma prerrogativa do mandatário), ao filho chamado Hunter. Por que teve de assim agir? Porque Hunter acumula na Justiça norte-americana uma condenação por ilícitos tributários e outra pelo fato de haver mentido sobre o uso de drogas quando lhe apeteceu comprar uma arma. Ele era usuário de substâncias psicoativas, mas escancarou um “não” no formulário. O presidente Biden, 82 anos, poderia ter sido inflexível. Se lemos Max Weber, um dos fundadores da sociologia, sabemos que se contrapõe à “ética do dever” a “ética particular”: o dever republicano versus o amor familiar. Biden não está sozinho. Optaram também pelo perdão presidencial Donald Trump, Bill Clinton, Jimmy Carter e Abraham Lincoln – todos se valeram da prerrogativa. Agir de um modo ou de outro não faz nem desfaz um homem – eis o dilacerador impasse. Não sem motivo ele move diversas peças que compõem as tragédias gregas.
