O mercado biruta e a economia forte

Carlos José Marques: "Por puro tribalismo político, setores da produção e do Congresso unem-se em torno de um mesmo objetivo de minar as forças do Executivo" (Crédito: Divulgação)
Por Carlos José Marques
A pirotecnia econômica parece estar ganhando cores bem dramáticas. O Congresso insiste na sabotagem. Seja do plano de ajuste fiscal do governo, estruturado para tentar amenizar parte do déficit que segue em valores astronômicos, seja com a persistência nas emendas parlamentares que sangram o cofre do Tesouro para o deleite politiqueiro de alguns poucos. As críticas do mercado financeiro atingiram, por sua vez, o pináculo da insensatez, numa histeria que levou a taxação do câmbio a índices nunca antes alcançados. É a típica aposta do contra, destruindo expectativas e qualquer lógica de união dos setores produtivos em prol da retomada. Analistas, empreendedores e financistas enxergam o enfraquecimento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e propõem um cordão de isolamento, uma espécie de blindagem, em torno dele. Puro jogo de cena para mostrar que se importam com a figura. Bem sabem todos que Haddad conta com o mais alto prestígio junto à Presidência da República, e Lula não o larga nem sob pressão. Ao contrário, o tem em alta conta até eventualmente como sucessor na cadeira do Planalto. A criatividade da desinformação em torno do assunto toma as redes por motivos bem mais prosaicos e deletérios. A aposta em enfraquecer o czar da economia é para insinuar que o País está indo ao beleléu por conta da gestão petista de Lula. Chega a ser risível o evento de mobilização nesse sentido. Por puro tribalismo político, setores da produção e do Congresso unem-se em torno de um mesmo objetivo de minar as forças do Executivo. Em vão. Os números apontam justamente na direção contrária. Acaba de sair mais um estupendo resultado do PIB, que mede o crescimento da riqueza no País. E mais uma vez ele surpreende, e muito, para cima. Cravou redondos 0,9% no último trimestre, diminuindo o ânimo de sabotadores e torcedores do contra, que clamam por escorregões não verificados. Alguns representantes da indústria, comércio e varejo começam a reconhecer e a admitir que a reação de mercado às soluções que vêm sendo lançadas – quase como uma dor de cotovelo pelas previsões frustradas – foram exageradas. Puxado pelos serviços e, em especial, por novos investimentos, o Produto Interno Bruto deste ano parece ter fôlego típico de nações que estão voltando ao trilho. No caso, o Brasil pode chegar ao apagar das luzes de 2024 com números do PIB na casa de 3,2%. É a praça quem diz e o governo comemora. Há muito tempo não se via nada igual e nesses dois últimos anos a conta final anima, decerto. Entre os catastrofistas, mais uma estimativa negativa de que o fôlego está acabando. Disseram o mesmo no raiar de 2023. Faz parte do show. Como rede de proteção, as cordas e amarras do PIB estão diretamente vinculadas ao crescimento do emprego e da renda. E eles não decepcionam. Jamais em tempos passados a taxa de desemprego foi tão baixa. Tanto as ocupações com carteira assinada, como as sem, estão batendo recorde sobre recorde. Mais emprego, mais renda, mais consumo, mais produção. E o que é bem importante, apontado pelo IBGE: a miséria de uma forma geral caiu a patamares recordes — depois de longo e tenebroso processo experimentado durante a gestão Bolsonaro. A roda da pujança agora está mesmo girando em sentido positivo. O “pibão” da conta de uma fórmula acertada. Para corroborar os esforços, o governo monta uma ofensiva de cortes e intensifica a articulação buscando fazer valer o programa de reestruturação da Fazenda. Quem torce o nariz reclama da taxação prevista dos ricos – algo mais previsível de que os queixumes sobre o assunto? -, das concessões de benefícios a determinados setores e, é óbvio, da isenção de impostos para as camadas mais desfavorecidas da sociedade. Reclamam do populismo enquanto se incomodam com uma mordida inesperada sobre o seu quinhão. A turba vaia e a caravana passa. Ao contrário do que se aponta, a desestruturação fiscal tem saída e existem fórmulas conhecidas para consertá-la. Resta aos agentes toparem entregar a sua parte. O STF acaba de aumentar o desafio, deliberando sobre novos gastos. O mercado, por sua vez, parece ter lado. Dez entre dez observadores apontam que o tal Deus mercado apoiará qualquer adversário de Lula para 2026. Torcem o nariz ao sapo barbudo. Mas a pendenga ainda não está ganha.