Lula nas mãos do Congresso

No regime presidencialista, Lula seria o que mais manda, mas o presidente está cada vez mais refém do Parlamento (Crédito: Evaristo Sa)
Por Germano Oliveira
Lula deixou claro que não desejava corte de despesas. Os petistas são conhecidos como gastadores. O presidente não se cansa de dizer que aplicar recursos públicos nos pobres não é gasto, mas sim investimento. E foi com esse tipo de conversa fiada que o governo foi aumentando suas despesas muito acima do permitido, levando as contas públicas ao descontrole, com juros, dólar e inflação em alta. Pressionado pelo mercado, Fernando Haddad ficou no meio do tiroteio. Recebia petardos da Faria Lima, de um lado, e era vitima de fogo cruzado petista, de outro. Ele resistiu e formulou o plano de cortes de gastos meia boca, que ninguém gostou. O problema é que agora as medidas repousarão no Congresso, e, lá, Lula ficará outra vez nas mãos de Pacheco (Senado) e Lira (Câmara).
Recesso
É que, faltando quinze dias para o recesso, dificilmente as medidas do pacote serão analisadas ainda este ano. Algumas delas não serão sequer apreciadas, como as mudanças no poder de compra do salário mínimo, cortes no BPC e em outros programas sociais. Já as novas regras de renda, que isentam de IR quem ganha até R$ 5 mil, ficarão só para 2025.
Confusão
O governo, marotamente, sabia que o plano era um pacote de malvadezas, como o reajuste do salário mínimo mais baixo, entre outras coisas. Tanto assim que, na véspera, Haddad foi forçado a divulgar na TV que o governo isentaria de IR os que ganham menos e taxar os “super-ricos”, que ganham acima de R$ 50 mil. Deu com uma mão e tirou com a outra.
Mudança de rumos

Avança cada vez mais a possibilidade de Edinho Silva ocupar o lugar de Gleisi Hoffmann na presidência do PT. O mandato da deputada termina em julho, mas tem muita gente que deseja antecipar a troca no comando, pois a gestão da parlamentar paranaense é questionada na sigla. Lula deseja que o novo presidente seja o prefeito de Araraquara, dado o seu dom de moderação, coisa que a atual presidente não tem.
Rápidas
● Apesar do clima de incertezas geradas pelo pacote de corte de gastos, os consumidores se animaram nas compras na Black Friday, que terminou domingo 1. Segundo a Neotrust Confi, o faturamento foi de R$ 8 bilhões, com crescimento de 11%, o maior dos últimos quatro anos.
● O marqueteiro de Lula em 2022, Sidônio Palmeira, tem participado ativamente de projetos de comunicação do governo. Ele foi o responsável pela produção do pronunciamento de Haddad na noite de quarta-feira, 27.
● As contas públicas é que não vão bem. Este ano, o déficit deve atingir R$ 64,4 bilhões, apesar de estar dentro da meta do arcabouço. Para 2025, o rombo será de R$ 40,2 bilhões, sobretudo por causa de pagamentos de precatórios.
● As incorporadoras que atuam no Minha Casa Minha Vida estão rindo à toa. Só no terceiro trimestre deste ano, faturaram R$ 6 bilhões, com uma alta de 31% em relação ao mesmo período de 2023. O lucro líquido subiu 143%.
Retrato falado

Em almoço com banqueiros na sexta-feira, 29, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) defendeu o ajuste fiscal, não descartou novas medidas para cortar gastos e pediu cautela aos que criticam o pacote. “Não vamos fazer o que precisamos com uma bala de prata e não é o grand finale do que a gente precisa fazer. Daqui a três meses, eu posso estar discutindo a evolução da Previdência, do BPC e chegar à conclusão de que tenho que mandar mais leis para o Congresso”, disse.
Juros subirão
Para quem acha que os juros já estão muito altos (a taxa Selic está em 11,25%), não perde por esperar. Na próxima reunião do Copom, a ser realizada nos próximos dias 10 e 11 – a última do ano -, o índice deve subir mais 0,5 ponto percentual, segundo estimativas dos analistas de mercado e do próprio Banco Central, o que elevará a taxa para 11,75%. É um valor muito alto e vai prejudicar muitos negócios, especialmente dos pequenos empreendedores, embora para os especuladores em títulos públicos seja uma coisa bem rentável. Sem contar que no mercado dos juros cobrados pelos bancos, essas taxas são ainda muito maiores, muitas vezes passando dos 13% ao mês.
Nova gestão
Enquanto isso, cresce a expectativa em torno da gestão de Gabriel Galípolo, que assumirá a presidência do BC em janeiro, no lugar de Campos Neto. A primeira reunião do Copom a ser presidida pelo indicado por Lula acontecerá nos dias 28 e 29 de janeiro. Os juros continuarão altos para conter a inflação.
Disputa por espaço
Dois meses depois do MDB de Baleia Rossi; do PSD de Kassab; e do União Brasil de Antonio Rueda – todos da base de Lula – terem eleito o maior número de prefeitos, a fatura do sucesso chega ao Planalto. Eles têm, cada um, três ministérios, mas agora querem mais. O PSD pensa emplacar Pacheco no ministério, enquanto o MDB ainda pensa em nomes.


Divisão interna
O problema maior está no União Brasil. O partido está literalmente rachado. A maior estrela da companhia, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, já é candidato declarado a presidente da República, pela direita, e sua legenda quer se manter com um pé na canoa de Lula. Dessa forma, há um cabo de guerra entre o grupo de Rueda e o coronel goiano.
Preparando o sucessor

O prefeito de Recife, João Campos, que acabou de se reeleger, já está de olho em 2026, quando deverá ser candidato a governador de Pernambuco. Por isso, como precisará se desincompatibilizar em abril do ano eleitoral, já está preparando seu vice, Victor Marques, de 30 anos, para lhe suceder na prefeitura. Dessa forma, João leva o vice para todos os cantos da cidade.
Toma lá dá cá: Pedro Romero, diretor no PicPay

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Vemos dois movimentos importantes. O Pix no WhatsApp com GenAI, que anunciamos recentemente, e o Pix por aproximação através da carteira do Google. São dois passos que abrem uma nova fronteira.
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