Patrimônio Viking sob a terra
Um antigo navio nórdico é a mais importante descoberta relacionada aos guerreiros do gelo. A dimensão científica se dá porque se pensava que não havia restos materiais na localidade pesquisada

SINAL O radar captou vestígios da nau no subsolo da montanha: terceiro barco histórico foi detectado (Crédito: Divulgação)
Pesquisadores do Museu de Arqueologia da Universidade de Stavanger, na Noruega, descobriram um navio pertencente à Era Viking, do século VIII ao XI, na ilha de Karmoy, na região Sudoeste do país. Karmoy entrou para história com o título de “a pátria dos reis vikings”.
O ponto exato em que a descoberta foi realizada, o monte Salhushaugen, é tido como a sepultura de monarcas e de guerreiros mais proeminentes. Apesar da forte denominação do território, carregada de simbolismo, pensava-se, até agora, que em Salhushaugen não havia vestígios materiais dos vikings.
Em 1906, um dos mais famosos arqueólogos noruegueses, Haakon Shetelig, já havia pesquisado o local, mas, mesmo com muito esforço naquele momento, não conseguiu encontrar o navio.
Ele deixou relatos de sua frustração ao falar sobra as pontas de flechas e pás de madeira que encontrou como prêmio de consolação.
“As antigas embarcações são chamadas de dragões, em alusão à bravura de seus donos”
Wesley Santana, historiador e sociólogo

A tecnologia empregada na pesquisa também chama a atenção. Antes de efetuar as escavações foi utilizado, pela primeira vez nesse ponto, um aparelho de georadar. Tal equipamento é capaz de detectar objetos e estruturas no subsolo. Dessa maneira, os arqueólogos puderam definir, com segurança, tratar-se da antiga embarcação escandinava.
A Noruega tem, agora, três barcos vikings. As duas naus descobertas antes na ilha de Karmoy têm estrutura semelhante a que acaba de ser achada. Acredita-se que essas embarcações estão entre as primeiras movidas à vela.
Hakin Reiersen, pesquisador chefe da missão, explicou ao site cientifico norueguês Science Norway, que as primeiras perfurações no solo de Salhushaugen não foram profundas o suficiente. “Por enquanto, não sabemos o quão preservado está, mas continuaremos o trabalho”, disse ele.
A descoberta atual tem cerca de 20 metros de comprimento, pesa aproximadamente três toneladas e deve estar repleta de relíquias. Para Wesley Santana, historiador e sociólogo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, esses navios serviam como mausoléu para os vikings.
“Enterrar um rei ou um guerreiro em seu navio era uma forma de homenageá-lo”, diz Santana. Com as embarcações os vikings, que eram hábeis navegadores, viajaram por diversos pontos do planeta.